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O Deus que vigia o desejo sexual: Cantares 2:8 – 3:5.

Não é fácil falar sobre sexo e sexualidade dentro das igrejas, mesmo hoje em dia. Embora estamos em pleno século XXI, as pessoas parecem que só abordam esse assunto quando não são cristãs. Quando nascem de novo, parece que acham que é pecado ou é muito contrastante falar isso dentro da igreja. Afinal de contas, igreja é lugar de se falar das coisas de Deus. A velha e famosa idéia de que Deus criou o casamento e o Diabo veio e criou o sexo, ainda é muito comum para várias pessoas – principalmente para pessoas de igrejas de linha teológica não definida e arcaica.

Recordo-me certa vez quando ministrei na igreja o memorável capítulo 7 da primeira carta aos coríntios, a euforia das pessoas quando toquei em assuntos delicados – principalmente por eu ser novo e solteiro. Questões como: Sexo antes do casamento, masturbação, a possibilidade ou não do sexo anal e outras inúmeras coisas, são assuntos que não são raros de se conversar no gabinete pastoral. Quantas e quantas vezes fui interrogado e questionado sobre o porquê esperar até o casamento para se ter uma relação sexual; qual era a visão da igreja evangélica sobre o sexo anal; quantas vezes fui questionado sobre a questão da masturbação – e isso com argumentos psicológicos e biológicos. Já ouvi e fui questionado várias vezes. Percebi muito cedo no meu ministério como era importante ter conhecimento nessa área e não ter medo nem receio de abordar esses assuntos, isso de maneira coerente, bíblica e sensata.

A nossa sociedade vive nos extremos, ou vemos as pessoas sem valores éticos, morais e espirituais; ou vemos a ala dos falsos moralistas – esse segundo grupo me preocupa mais. Isso por que eles criam os tabus, principalmente dentro das igrejas.

Não podemos abordar o livro de Cantares de Salomão sem falar de desejo sexual. Sem o desejo de estar junto a união amorosa não pode durar. Nenhuma falta de afeto existe no casal do livro de Cantares. A alegria surge tanto na possibilidade de reencontro (2.8-9), quanto no tempo que passam juntos (2.10-13). Nenhuma das vezes em que um deles busca pelo outro é tratada como algo inconveniente (3.1-4). Eles acreditam que a vida é cheia da plenitude quando estão na presença um do outro ou até mesmo quando se imaginam juntos. Para eles, a ausência do amado é a barreira principal à felicidade na vida.

Uma coisa interessante é que no início deste cântico o Amado toma a iniciativa. É o homem que toma a iniciativa de procurar a mulher, de mostrar interesse e afeto. O “H´´omem é que busca ter a iniciativa. Pessoalmente, não acho interessante a mulher tomar a iniciativa de ir atrás do homem. Estou com Salomão e não abro, o homem é que tem aquele instinto de ir atrás da fêmea, de conquistá-la, de lutar por ela e ter como prêmio o sentimento da mulher que desejou ter como companheira. Acho muito estranho quando a mulher vai atrás do homem. Escutei certa vez uma frase de uma mulher muito experiente na vida que me disse assim: “homem só valoriza o que ele conquista com dificuldade´´. Fiquei pensando e vi que ela em certo sentido tinha razão. Faz parte da natureza do macho ir conquistar a fêmea. Creio que boa parte da falta de valor que as mulheres dizem não ter da parte dos homens, ocorre como resultado e culpa das próprias mulheres em não se valorizarem – não estou generalizando, existe exceções à regra. Qual o homem que gosta de mulher muito dada? Homem gosta de mulher difícil, aquela que é reservada e que vai correspondendo a medida que o homem vai tomando iniciativa. Geralmente esse tipo de mulher é a famosa “oferecida”. Uma verdadeira mulher de Deus não age dessa maneira. Ela sabe dosar e interagir de forma correta com o seu pretendente na fase da conquista sem ser vulgar nem utilizar-se de métodos ou estratégias mundanas. Pois aprendi uma coisa com um pastor muito querido: “uma mulher mundana atrai um homem mundano, e um homem mundano atrai uma mulher mundana”. Nesse caso os opostos não se atraem. Os homens podem deixar seu comentário e afirmar ou negar isso – as mulheres também é claro.

As primeiras duas seções do livro possuem uma utilidade ímpar aos leitores do Antigo Testamento, pois nenhuma outra passagem da Bíblia faz referência à paixão que precede o casamento como estas. Talvez a determinação de Boaz em se casar com Rute sugira a mesma emoção (Rt 3.1 – 4.12), contudo o tom do relato é imensamente moderado em comparação a Cantares 1.2 – 3.5. Elogio, desejo, alegria e impaciência na ausência do outro, precedem o compromisso que não será facilmente abalado e quebrado. No contexto de sabedoria, esses versos indicam como alguém pode começar a evitar a mulher pecaminosa tão vividamente descrita em Provérbios 5.1-6; 7.6-27 e 9.13-18.

Minha pergunta: por qual motivo a igreja evangélica não estuda esse livro na escola dominical ou culto de doutrina? A resposta mais direta e simples é: os pastores e líderes são mal resolvidos teologicamente e pessoalmente em relação a esse assunto. Os pastores não ousam ensinar o que a Bíblia diz acerca do sexo e do desejo sexual. Sabe o que acontece? O MUNDO SE ENCARREGA DE ENSINAR AOS MOLDES DE SATANÁS.

Que Deus nos dê graça para tomarmos a melhor direção na vida sentimental para não cairmos nas ciladas do Diabo e da nossa própria ignorância.

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