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Posts Tagged ‘Espiritualidade’

A palavra “igreja” aparece pela primeira vez no evangelho de Mateus capítulo 16 e vem da palavra grega “Ekklesia” que significa: assembleia, ajuntamento solene, chamados para fora. Nesse texto Jesus declara que as portas do inferno não poderão prevalecer contra a sua igreja e o pronome possessivo demonstra nitidamente que a igreja pertence a Jesus. Essa assembleia tem a missão de pregar o evangelho e viver o amor que o seu mestre viveu, pois ele mesmo disse: “novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros, como também: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. (MATEUS 13:34-35)

A seta indicadora do cristianismo autêntico é o amor. O amor é a marca da igreja de Cristo, é o leme que conduz em segurança o navio da nossa vida cristã. Mas vemos a igreja de Cristo relutando em não viver esse amor e por muitas vezes se esquecendo da sua identidade como Igreja de Cristo. Na língua hebraica, praticamente não existe distinção entre as palavras “amor e misericórdia”. Logo, quando Jesus nos fala de amor, está claramente falando de misericórdia.

 A narrativa do capítulo 5 do evangelho de João, conta que havia junto ao tanque de Betesda, uma multidão de enfermos, coxos, paralíticos e cegos. A palavra “Betesda” em hebraico significa “casa da misericórdia ou casa do amor”, o tanque era localizado, segundo o historiador Flávio Josefo, em Jerusalém, ao norte do Templo, próximo ao mercado das ovelhas. Em escavações nesta região, no ano de 1888, o professor e arqueólogo, Dr. Conrad Schick, achou um grande tanque com cinco pavilhões (degraus), que levavam a uma parte mais baixa onde havia água. Em uma de suas paredes havia a pintura de um anjo no ato de movimentar as águas.

Segundo a narrativa de João, de tempos em tempos as águas eram agitadas por um anjo e a primeira pessoa que entrasse no tanque depois que as águas fossem agitadas seria curada de qualquer enfermidade. Alguém chamou a atenção de Jesus, um homem que já sofria naquele tanque há 38 anos, sua doença não é especificada, mas fica claro que é uma enfermidade que não permitia que ele andasse. Esse homem segundo a teologia judaica era um amaldiçoado. Muitos judeus criam que as doenças congênitas eram consequência de algum pecado cometido quando a criança estava no útero.

Lembremo-nos do episódio do capítulo 9 do evangelho de João, onde os discípulos perguntam a Jesus: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Os discípulos também criam nessa teologia do toma lá dá cá. Logo, esse homem estava condenado a se afastar da sua família, profissão, lazer e abandonar seu convívio social por completa – nem sequer poderia ir ao templo cultuar a Deus. Era visto como uma maldição por muitos e o único lugar onde essa alma açoitada pelo sofrimento e humilhação poderia buscar abrigo e refúgio era “Betesda”, a casa da misericórdia! Era lá onde o coração retorcido pela dor, a alma que gemia pela solidão e os rejeitados pela sociedade poderiam vislumbrar uma penumbra de esperança.

Esse homem não tem nome, nem família e nem carinho. Esse homem calejado pela vida se alimentava da esperança que dizia que um dia a sua vida iria mudar. Imagino quantas noites esse homem pegou no sono pensando: amanhã pode ser o meu dia, alguém vai me ajudar a chegar lá, vão se lembrar de mim. Mas a realidade do dia seguinte se levantava diante do homem que tinha um sonho: ser curado! Ele observava como as pessoas não tinham misericórdia, como cada um pensava em si mesmo e não conseguiam fazer jus ao nome daquele lugar. As pessoas que ali se encontravam eram tão frias quanto às águas daquele tanque. A indiferença e a falta de amor reinavam em Betesda. Mas em um dado momento aquele homem se encontra com Jesus e este lhe faz uma pergunta: queres ser curado? No entanto, a apatia, o egoísmo e a falta de misericórdia daquele lugar eram tão grande que o homem não consegue expor o seu maior sonho. Antes, vomita toda sua dor dizendo: “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água é agitada; pois, quando eu vou, desce outro antes de mim”.

Minha intenção não é focar a cura, mas sim, as palavras desse homem que expressam a dor de alguém que esperava misericórdia na casa da misericórdia! A igreja é casa de misericórdia, é casa da graça, casa do amor. Mas o que menos vemos ás vezes nas nossas igrejas é misericórdia, graça, e amor. Infelizmente, a casa da misericórdia às vezes não tem misericórdia nenhuma, não admite erros nem falhas. Parece que estamos esquecendo que a igreja é um hospital de pecadores. É o lugar onde os “rejeitados e bestializados” pela sociedade buscam ajuda, auxílio e alguém que mostre o que é amor e misericórdia. Temos a cruel mania de amar os que o sistema seletivo e mundano da sociedade autoriza. Vivemos no modus operandi do inferno quando rejeitamos as pessoas que precisam de misericórdia. Como nossas igrejas tratam as pessoas que se desviam? Como os homossexuais e lésbicas são tratados na casa da misericórdia? Como a igreja se comporta diante dos meninos de rua, traficantes, membros de gangs e pessoas problemáticas da sociedade que estão frequentando a igreja? Infelizmente muitas das nossas igrejas falham nisso e terminamos presenciando o “drama de Betesda”.

Afinal, quando se dá o drama de Betesda? Ele ocorre quando na casa da misericórdia não há misericórdia, quando na casa do amor não há amor, quando na casa da graça não há graça. Será que em nossa igreja estamos vivenciando o drama de Betesda? Já paramos para olhar as pessoas da nossa igreja que estão vivendo o drama de Betesda como Jesus olhou para aquele homem? Temos que fazer uma reflexão profunda sobre nosso comportamento como Igreja do Senhor. Que verdadeiramente a nossa igreja local possa ser casa da graça, casa do amor e casa da misericórdia!

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Podemos olhar para o cenário da igreja evangélica no Brasil e perceber como as chamadas “conferências de milagres” têm atraído as multidões. Não é raro encontrarmos os conferencistas (que muitas vezes se auto denominam internacionais) subindo em palanques, trios elétricos e contagiando freneticamente as pessoas que correm atrás desses milagres. São pessoas de boa fé, uma fé simples, uma fé ingênua, uma fé que tem fé na fé, mas uma fé que não procede das Escrituras Sagradas. São pessoas no auge do desespero, que muitas vezes estão vivendo no limiar da desesperança. São nesses momentos de incerteza e insegurança da alma que a situação pede uma resposta imediata, urgente e definitiva. Empurradas pelos ventos da dor, essas pessoas procuram a todo custo resolver a tão dolorida enfermidade.

É aí que o mercado oferece um shopping de milagres! Onde se oferece uma porção de revelações instantâneas por mera “fé’’. Mas… que fé será essa das pessoas? Baseada aonde? E em quê? Podemos nos reportar para a Bíblia e enxergar o episódio do capítulo 6 do evangelho de João, onde depois do milagre da multiplicação dos pães e peixes uma numerosa multidão seguia Jesus em busca de bis. O interessante é que o grupo de pessoas que seguiam Jesus no inicio do capítulo 6 são pessoas que tinham sido testemunhas oculares das curas de várias pessoas; ou seja, eram pessoas que tinham fé na fé de outras pessoas. Mas agora aquelas pessoas estão de volta, querendo mais um “espetáculo de milagre”. Ao Chegar ao mar de Tiberíades encontraram os barcos vazios, nem os discípulos nem Jesus estavam ali. Eles na busca desenfreada por milagres tomaram os barcos e foram à procura de Jesus. De fato eles o encontraram e fizeram uma pergunta: “Mestre, quando chegastes aqui? Jesus respondeu de forma dura, porém verdadeira: em verdade vos digo que vós me procurais não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes”. Essas pessoas pareciam pessoas de muita fé, afinal de contas, o sacrifício que elas fizeram pra encontrar Jesus é de se admirar. Não é diferente das pessoas de hoje que organizam caravanas, viajam milhares de quilômetros, passam por muito sufoco e se utilizam de meios sacrificiais em nome da fé. No final das contas são vistas como pessoas de muita “fé”. E não é pra menos, o que elas fizeram pra chegar perto do homem que faz milagres não foi brincadeira. No entanto, não vemos o nosso amado Mestre Jesus elogiando aquelas pessoas que fizeram aquele esforço todo para encontrá-lo. Antes, Jesus reprova aquela atitude e faz muito mais do que isso, ele revela a verdadeira motivação daquela procura iminente por milagres. Jesus revela que a procura não era pelo sentido daqueles sinais (visto que a cura dos enfermos era em cumprimento das profecias do Antigo Testamento que comprovariam a autoridade messiânica de Jesus) e sim pelo bem estar próprio deles. Na verdade eles estavam querendo encher a barriga e nada mais.

Vemos de fato pelo Brasil e pelo mundo pessoas realizando milagres por pessoas que procuram por isso. Particularmente eu creio em milagres, é bíblico isso! Mas Jesus nunca deixou de pregar a Palavra para se dedicar a curar as pessoas. Hoje assisti (por mera curiosidade para escrever o texto) a uma conferência de milagres e, o que mais me espantou a princípio é o termo “conferência”, palavra que significa “ato de conferir”. Milagre é algo que exige fé, ou seja, eu creio e ponto final, mas me expliquem porque eu tenho que “conferir” os milagres? Será que as conferências são para as pessoas conferirem, como o próprio nome diz? Porque se for mesmo isso como se espera do próprio termo, há uma grande contradição teológica! Porque, se milagre é algo que exige fé, e fé é algo que se espera sem precisar ver ou tocar, quando eu vou conferir um milagre eu estou colocando essa fé em cheque. Hoje vi vários conferencistas de milagres, alguns movidos pela curiosidade, outros pela vontade de parar de sofrer, mas a maioria não passava de pobres e simples conferencistas de milagres. Quantas dessas pessoas não se assemelham as pessoas do capítulo 6 do evangelho de João? Buscando apenas saciar o próprio ventre, outras fartar-se de bens materiais e outras, é bem verdade, apenas receber de forma verdadeira a cura do Senhor que elas servem. Não podemos negar, existem sim pessoas de muita fé e tementes a Deus. Pessoas que servem a Deus de forma exemplar  e que independentemente do seu estado físico serve a Deus de todo coração.

Nessas conferências não existem pregações bíblicas, nem a pregação é o centro do culto. Vemos o dia do milagre, explosão do milagre, a hora da oração poderosa, a quebra das maldições, mas não vemos a sublime hora da pregação bíblica! Pregação essa que tem poder em si de gerar a fé necessária para se receber um milagre da parte do Senhor. Vemos a Bíblia ser distorcida, mutilada, retorcida e sendo utilizada para manipular a fé das pessoas. Hoje mais uma vez ouvi de um conferencista “renomado” que o crente tem que ficar sempre por cima e nunca por baixo, que somos cabeça e não calda, que chega dessa coisa de crente ser sempre o porteiro do prédio, agora é hora de ter casa na praia, new civic e muita prosperidade. A ênfase na prosperidade financeira é absurda. É de partir o coração como as pessoas com o andamento daquilo que elas chamam de pregação, vibram e se alegram em ouvir palavras desse gênero. Perguntei-me em alguns momentos: onde está o evangelho que a igreja primitiva cria? As pessoas não tem mais conhecimento bíblico, a experiência fica acima de tudo e a revelação do profeta está acima da autoridade das escrituras; ou seja, o pragmatismo domina esse tipo de “sermão”.

O pragmatismo tomou conta da maioria desses conferencistas de milagres. Seguem sempre o mesmo esquema sujo para mostrar a superficialidade das suas ações. Usam roupas simples na hora da conferência, porém ficam em hotéis de luxo na cidade onde estão. Em dado momento, geralmente no início, falam que existem pessoas que são frias, que as criticam, que dizem que não crêem no sobrenatural de Deus e que não devem merecer crédito. Porque como ouvi hoje, são pessoas que ficam sempre se preocupando se o texto está fora de contexto, com estudo e isso ou aquilo – justamente a mesma preocupação exegética e interpretativa que os apóstolos e primeiros crentes tinham. Com isso eles fazem com que as pessoas aceitem tudo que dizem sem serem questionados por ninguém. Afinal de contas, quem faz isso está criticando o agir do Espírito Santo e quem é que quer voltar pra casa com esse peso nas costas de ter falado contra o agir de Deus? Com isso eles já estão imunes a qualquer questionamento. Tudo o que eles fizerem deve ser considerado como algo inspirado e acima de qualquer suspeita. Agora a multidão virou presa fácil. Querem um milagre, tem quem ofereça de qualquer forma, ninguém questiona nada, só resta dizer que a conferência “é uma bênção”. Não vemos a mesma multidão na escola bíblica dominical nem nos cultos de doutrina. Não vemos a busca pelo conhecimento da Palavra, pela meditação na Palavra. Vemos crentes supersticiosos lendo um Salmo pra relaxar antes de dormir, ou lendo um versículo por dia pra cumprir seu costume religioso de evangélico.

Termino afirmando que creio em milagres, mas não preciso conferi-los pra isso! Minha fé é no Deus que realiza os milagres e não fé nos milagres. Fé no Deus que faz no tempo dele e se ele quiser fazer. Pois um dia o grande Apóstolo Paulo pediu a Deus em súplicas por três vezes dizendo: Senhor tira de mim esse espinho da carne? E Deus lhe respondeu: Paulo, a minha graça lhe basta! Se não estou enganado, isso está naquele livro… aquele que chamam de Bíblia… que os evangélicos lêem… e eles lêem? É isso que me pergunto todos os dias.

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Foi-se o tempo em que os cristãos sabiam o verdadeiro sentido da humilhação. Os valores se inverteram. Quando um cristão é xingado e não reage a uma afronta, ou se cala diante de palavras torpes ele é considerado um idiota, criticado, taxado de besta. O homem que não usa as costas do semelhante como trampolim para ganhar impulso para subir na vida é chamado de “santinho”. Os próprios cristãos acham estranho demais, algo fora do comum receber reclamações indevidas, provocações sem motivos, acusações sem causa, perseguições sem tréguas. Dizem quem não aceitam, que isso não pode, afinal de contas, são filhos do Rei.

De que rei estão falando? O Rei que não tinha onde reclinar a cabeça, que não tinha morada certa desde que saiu da sua casa na Galileia, que foi tentado por satanás, que nasceu em meio a animais, que morreu despido numa cruz, que foi traído por um dos seus amigos, que foi chamado de endemoniado; que foi rejeitado pelos seus, que entrou em Jerusalém em um jumento que ele pediu emprestado, é esse o Rei que os crentes conhecem?

Queremos sempre subir, sempre estar por cima, até certo ponto isso é normal. No entanto, crescer a qualquer preço é a meta primária de muitos crentes. Mas, subir para onde? subir para cima? John Pipe disse certa vez: “se quisermos crescer, que possamos crescer para baixo”. Não estou caindo em pleonasmo, apenas dizendo que subir com as próprias forças, sem dependência de Deus, sem humilhação e sem aceitar as privações que a nossa fé nos oferece é o caminho errado.

Vejo meus irmãos pregando outro evangelho. O evangelho que diz que somos cabeça e não cauda e que temos que ficar sempre por cima e não por baixo. Ser humilhado por ímpios? Deus, eu não aceito isso, eu determino isso, decreto aquilo! É assim que nossa igreja muitas vezes ensina.

Meus irmãos, precisamos nos lembrar que somos a caça e não os caçadores. Somos os perseguidos, não os perseguidores. Cristo ensinou que o mundo nos perseguiria devido nosso estilo de vida, por seguirmos a Ele com fidelidade. O caminho da humilhação é a única rota no itinerário da fé cristã.

Precisamos nos humilhar na presença de Deus e saber que diante das perseguições, injurias e lutas, descendo é a forma de subir corretamente. Pois o apóstolo Pedro afirmou: “humilhai-vos debaixo da potente mão de Deus, para que em tempo oportuno ele vos exalte”.

Caro leitor, quer subir? Tenho que ser fiel as Escrituras e dizer: O CAMINHO É PARA BAIXO.

 

 

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