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O Fervor Missionário da Igreja ante a Pluralidade Religiosa do Brasil – Atos 17:16-34.

 

 

É bem conhecido na sociologia da religião o conceito de “sincretismo religioso”, que se aplica muito bem ao Brasil, e que significa mistura, mescla, síntese de tradições religiosas, superposição de doutrinas e entidades espirituais (santos, deuses, guias) de diferentes religiões. Assim, o sincretismo mais conhecido foi o que praticaram os negros escravos dissimulando seus orixás com os santos católicos.
Como bem disse o Doutor Hernandes Dias Lopes: “ o Brasil é um caldeirão não só racial, mas religioso também´´. O pano de fundo religioso desse país é o catolicismo europeu, o espiritismo kardecista da França, os cultos Afros e o misticismo indígena.  Como se não bastasse, as religiões orientais dividem espaço largo com sociedades secretas e comunidades esotéricas.
Essa semana vi na televisão um líder religioso defendendo a pluralidade religiosa, que deveríamos olhar para religião do vizinho como uma opção, como sendo mais uma que nos levará ao mesmo destino. O Brasil é um país onde 99% da população (segundo pesquisa da revista Veja) crê em Deus ou deuses.
A princípio, olhando de fora, o brasileiro é um povo que conhece Deus. Afinal de contas, até o Papa disse: “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca´´. Essa frase mostra como a religiosidade brasileira é bem vista internacionalmente. Os antropólogos chamam a pluralidade religiosa brasileira de cultura; os sociólogos chamam de movimento social; a psicologia de necessidade natural; mas a Bíblia chama isso de PECADO.
No entanto, a pluralidade não guerreia só nos campos de batalha da religião; ela tem um aliado chamado RELATIVISMO. Este nos ensina que não existe absolutos, tudo é relativo. A religião certa para mim pode não ser para voce; isso para voce é pacado, para mim não, tudo é relativo. Isso ocorre porque onde existe pluralismo, existe também relativismo.
A força motriz do relativismo é o pragmatismo. Esta doutrina filosófica, seguida por milhões de pessoas no mundo todo, ensina-nos a seguir não a verdade, mas o que dá certo. O pragmatismo não está interessado no que é verdadeiro, mas no que funciona. Eis aí um dos graves problemas de evangelizar o Brasil; o brasileiro gosta do que funciona, do caminho mais fácil e, quando não consegue, ele tenta dá o seu jeitinho, o jeitinho brasileiro.
Por que eu disse que é um dos graves problemas do Brasil? Porque além de termos que evangelizar o Brasil descrente, temos que evangelizar o Brasil evangélico. Porque os evangélicos estão cada vez mais pragmáticos e místicos. Sabe por que isso é um problema grave? Porque um crente pragmático é um semi-evangélico, pregando um semi-evangelho. O evangelho do sal grosso, da rosa ungida, o evangelho da campanha da arca da aliança. Esse tipo de crente é um  problema porque não são missionários. Eles precisam ser evangelizados, pois alguém já disse que quem não evangeliza precisa ser evangelizado. Charles Spurgeon pregador do século 18 disse: “todo crente é um missionário, ou um impostor´´.
Diante da situação do nosso Brasil, qual tem sido o sentimento missionário da igreja do Senhor? Precisamos olhar para o texto e observar Paulo em Atenas.

Pela primeira vez Paulo está na capital da filosofia, da arte, das grandes construções; ele tinha acabado de chegar do norte da Beréia pelo mar com seus amigos que agora já tinham voltado e o deixaram só em Atenas. A cidade estava cheia de ídolos. Atenas era conhecida por ter mais ídolos que o resto da Grécia. Petrônio calculou que existiam 30 mil deuses nas ruas e prédios públicos.
v. 18-21: Os estóicos e epicureus ouviram Paulo e disputavam com ele. Os filósofos reconheceram que Paulo estava pregando uma doutrina nova e estranha. Em vez de assimilar a nova doutrina, eles perceberam que era bem diferente das idéias deles.
Os epicureus eram ateus e materialistas. O propósito deles era livrar o homem do medo dos deuses através da negação da sua realidade. Eles negavam a vida depois da morte (e o juízo final) e devem ter ficado escandalizados com a noção da ressurreição. Segundo os epicureus, a realidade última consiste apenas em matéria composta de átomos. Os deuses eram simplesmente símbolos.
Os estóicos eram panteístas. Eles acreditavam que o logos,ou Deus, era uma energia que permeava tudo e que dava ordem e estrutura ao universo. O logos guiava a sorte dos homens e tudo que acontecia além da vontade do homem não podia ser mudado. Portanto, os homens não devem se preocupar com as coisas além do seu controle, mas devem aceitá-las sem ficar perturbados. O que será, será. Eles acreditavam na unidade da humanidade e na paternidade de Deus.
Os filósofos chamavam Paulo de “paroleiro” (spermologoi) que quer dizer vagabundo ou uma pessoa que não presta. Obviamente eles não respeitaram a doutrina de Paulo, mas pelo menos eles estavam abertos para ouvir mais sobre ela. Daí, eles o levaram para o Areópago.
v. 23: O Deus desconhecido. Era muito comum eles terem altares aos deuses desco- nhecidos, para o caso de um deus ficar irado por não ter recebido sacrifícios. Paulo não identificou o Deus verdadeiro com nenhum dos deuses gregos, mas com franqueza disse que eles estavam ignorantes desse Deus. O propósito de Paulo foi anunciar este Deus. O que segue, pois, deve ser entendido como uma exposição do verdadeiro Deus. Paulo não adaptou o seu conceito de Deus às idéias dos filósofos, mas colocou perante eles a antítese completa entre o paganismo e o cristianismo. O discurso é um ataque frontal contra a cosmovisão grega. Toda a exposição leva alguns a crerem e outros a zombarem.

Portanto, estou certo em afirmar que o fervor missionário deve ser evidenciado diariamente em meio à pluralidade religiosa afim de que o Deus verdadeiro seja conhecido. Mas, diante do texto de Atos, quais são as posturas que uma pessoa que tem o fervor missionário evidencia? Vejamos algumas.

Primeiro, uma percepção da realidade espiritual local. “Em face da idolatria dominante […]´´ (V.16). Paulo poderia ter visitado os maiores pontos turísticos da época. A acrópole, a ágora. Mas nada disso impressionou, o que ele percebeu foi a idolatria dominante. Lucas usa o adjetivo “Kateidolos´´ e não aparece em nenhum lugar no novo testamento nem em nenhuma outra literatura grega e dá a idéia de sob os ídolos, debaixo deles. O prefixo “kata´´ dá a ideia um crescimento luxuoso. É como se Paulo tivesse vendo os ídolos crescendo como uma floresta e sufocando a cidade sem ninguém perceber.

Segundo, um sentimento de reação diante da idolatria e rebeldia contra o Senhor. “O seu espírito se revoltava…´´ (v. 16). O verbo grego paroxyno, de onde vem a palavra paroxismo, tinha uma conotação médica e se referia a uma pessoa que tinha um ataque epilético.  Também significa: provocar, irritar, estimular. Paulo se sentiu agredido, provocado, indignado pela idolatria como próprio Deus se sente, e pela mesma razão: a glória e a honra do  nome de Deus. O antigo testamento chama esse sentimento de ciúme.  A ira de Paulo é pela sua aversão a idolatria que é dá glória a demônios no lugar do criador. Isso deixava Paulo como alguém que estivesse tendo um ataque epilético, mas também o motivava a pregar o evangelho aos idólatras de Atenas, esse sentimento deve nos motivar também irmãos. Pensando assim disse HENRY MARTYN na Pérsia mulçumana no início do século 19: “Eu não suportaria viver se Cristo não fosse glorificado; seria um inferno para mim, se ele fosse sempre desonrado.

Em terceiro lugar, uma pessoa que tem o fervor missionário  evidencia a proclamação do evangelho como fonte de libertação (Vs. 17-18).  A reação de Paulo diante da idolatria não foi de jogar as mãos para cima e ficar se lamentando e chorando. Ele prega a palavra.

a)    Primeiro, na sinagoga entre judeus, e para gentios tementes a Deus. Podemos comparar a evangelizar na igreja.

b)    Depois na ágora, praça que servia como mercado e encontro para conversas e debates. Podemos comparar com uma esquina, uma praça, uma feira, uma quadra de esportes. Precisamos de evangelistas poderosos que são capazes de fazer amizades com as pessoas a fim de pregar o evangelho.

c)    Em terceiro lugar vemos Paulo pregando no areópago, que o mais próximo que encontramos seria uma universidade; o lugar onde encontramos as melhores cabeças do país. O Brasil precisa de mentes dedicadas a Deus, ao estudo das escrituras. Não só ao estudo, mas também de escritores, pensadores, dramaturgos, artistas, atores. Uma diversidade de pessoas que possam usar seus talentos para pregar o evangelho. Assim podemos lutar contra o pluralismo religioso  desse país e do mundo.

Em quarto lugar, uma pessoa que tem o fervor missionário  evidencia o conhecimento do Deus vivo e verdadeiro aos que não conhecem a Deus (Vs. 19-21). Paulo faz isso em 5 aspectos:

A)   V. 24 –  Deus é criador do universo.

B)   V. 25 – Deus é o mantenedor da vida.

C)   V. 26-28a – Deus é o governador de todas as nações.

D)   V. 28b-29 – Deus é o Pai de todos os seres humanos.

E)   V. 30-31 – Deus é o Juiz do mundo.

Portanto, será que o mesmo sentimento que fez Paulo abrir a boca e proclamar o evangelho está em nós? Temos que pensar nas palavras de James S. Stewart, quando disse: “Nenhum homem está verdadeiramente despertado, se não desenvolveu um horizonte supranacional em seu pensamento. Nenhuma igreja é mais do que água represada de caráter pietista, a não ser que, em primeiro lugar, sempre e fundamentalmente seja uma igreja dedicada a missões. ´´

 

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