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Posts Tagged ‘religiosidade’

Podemos olhar para o cenário da igreja evangélica no Brasil e perceber como as chamadas “conferências de milagres” têm atraído as multidões. Não é raro encontrarmos os conferencistas (que muitas vezes se auto denominam internacionais) subindo em palanques, trios elétricos e contagiando freneticamente as pessoas que correm atrás desses milagres. São pessoas de boa fé, uma fé simples, uma fé ingênua, uma fé que tem fé na fé, mas uma fé que não procede das Escrituras Sagradas. São pessoas no auge do desespero, que muitas vezes estão vivendo no limiar da desesperança. São nesses momentos de incerteza e insegurança da alma que a situação pede uma resposta imediata, urgente e definitiva. Empurradas pelos ventos da dor, essas pessoas procuram a todo custo resolver a tão dolorida enfermidade.

É aí que o mercado oferece um shopping de milagres! Onde se oferece uma porção de revelações instantâneas por mera “fé’’. Mas… que fé será essa das pessoas? Baseada aonde? E em quê? Podemos nos reportar para a Bíblia e enxergar o episódio do capítulo 6 do evangelho de João, onde depois do milagre da multiplicação dos pães e peixes uma numerosa multidão seguia Jesus em busca de bis. O interessante é que o grupo de pessoas que seguiam Jesus no inicio do capítulo 6 são pessoas que tinham sido testemunhas oculares das curas de várias pessoas; ou seja, eram pessoas que tinham fé na fé de outras pessoas. Mas agora aquelas pessoas estão de volta, querendo mais um “espetáculo de milagre”. Ao Chegar ao mar de Tiberíades encontraram os barcos vazios, nem os discípulos nem Jesus estavam ali. Eles na busca desenfreada por milagres tomaram os barcos e foram à procura de Jesus. De fato eles o encontraram e fizeram uma pergunta: “Mestre, quando chegastes aqui? Jesus respondeu de forma dura, porém verdadeira: em verdade vos digo que vós me procurais não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes”. Essas pessoas pareciam pessoas de muita fé, afinal de contas, o sacrifício que elas fizeram pra encontrar Jesus é de se admirar. Não é diferente das pessoas de hoje que organizam caravanas, viajam milhares de quilômetros, passam por muito sufoco e se utilizam de meios sacrificiais em nome da fé. No final das contas são vistas como pessoas de muita “fé”. E não é pra menos, o que elas fizeram pra chegar perto do homem que faz milagres não foi brincadeira. No entanto, não vemos o nosso amado Mestre Jesus elogiando aquelas pessoas que fizeram aquele esforço todo para encontrá-lo. Antes, Jesus reprova aquela atitude e faz muito mais do que isso, ele revela a verdadeira motivação daquela procura iminente por milagres. Jesus revela que a procura não era pelo sentido daqueles sinais (visto que a cura dos enfermos era em cumprimento das profecias do Antigo Testamento que comprovariam a autoridade messiânica de Jesus) e sim pelo bem estar próprio deles. Na verdade eles estavam querendo encher a barriga e nada mais.

Vemos de fato pelo Brasil e pelo mundo pessoas realizando milagres por pessoas que procuram por isso. Particularmente eu creio em milagres, é bíblico isso! Mas Jesus nunca deixou de pregar a Palavra para se dedicar a curar as pessoas. Hoje assisti (por mera curiosidade para escrever o texto) a uma conferência de milagres e, o que mais me espantou a princípio é o termo “conferência”, palavra que significa “ato de conferir”. Milagre é algo que exige fé, ou seja, eu creio e ponto final, mas me expliquem porque eu tenho que “conferir” os milagres? Será que as conferências são para as pessoas conferirem, como o próprio nome diz? Porque se for mesmo isso como se espera do próprio termo, há uma grande contradição teológica! Porque, se milagre é algo que exige fé, e fé é algo que se espera sem precisar ver ou tocar, quando eu vou conferir um milagre eu estou colocando essa fé em cheque. Hoje vi vários conferencistas de milagres, alguns movidos pela curiosidade, outros pela vontade de parar de sofrer, mas a maioria não passava de pobres e simples conferencistas de milagres. Quantas dessas pessoas não se assemelham as pessoas do capítulo 6 do evangelho de João? Buscando apenas saciar o próprio ventre, outras fartar-se de bens materiais e outras, é bem verdade, apenas receber de forma verdadeira a cura do Senhor que elas servem. Não podemos negar, existem sim pessoas de muita fé e tementes a Deus. Pessoas que servem a Deus de forma exemplar  e que independentemente do seu estado físico serve a Deus de todo coração.

Nessas conferências não existem pregações bíblicas, nem a pregação é o centro do culto. Vemos o dia do milagre, explosão do milagre, a hora da oração poderosa, a quebra das maldições, mas não vemos a sublime hora da pregação bíblica! Pregação essa que tem poder em si de gerar a fé necessária para se receber um milagre da parte do Senhor. Vemos a Bíblia ser distorcida, mutilada, retorcida e sendo utilizada para manipular a fé das pessoas. Hoje mais uma vez ouvi de um conferencista “renomado” que o crente tem que ficar sempre por cima e nunca por baixo, que somos cabeça e não calda, que chega dessa coisa de crente ser sempre o porteiro do prédio, agora é hora de ter casa na praia, new civic e muita prosperidade. A ênfase na prosperidade financeira é absurda. É de partir o coração como as pessoas com o andamento daquilo que elas chamam de pregação, vibram e se alegram em ouvir palavras desse gênero. Perguntei-me em alguns momentos: onde está o evangelho que a igreja primitiva cria? As pessoas não tem mais conhecimento bíblico, a experiência fica acima de tudo e a revelação do profeta está acima da autoridade das escrituras; ou seja, o pragmatismo domina esse tipo de “sermão”.

O pragmatismo tomou conta da maioria desses conferencistas de milagres. Seguem sempre o mesmo esquema sujo para mostrar a superficialidade das suas ações. Usam roupas simples na hora da conferência, porém ficam em hotéis de luxo na cidade onde estão. Em dado momento, geralmente no início, falam que existem pessoas que são frias, que as criticam, que dizem que não crêem no sobrenatural de Deus e que não devem merecer crédito. Porque como ouvi hoje, são pessoas que ficam sempre se preocupando se o texto está fora de contexto, com estudo e isso ou aquilo – justamente a mesma preocupação exegética e interpretativa que os apóstolos e primeiros crentes tinham. Com isso eles fazem com que as pessoas aceitem tudo que dizem sem serem questionados por ninguém. Afinal de contas, quem faz isso está criticando o agir do Espírito Santo e quem é que quer voltar pra casa com esse peso nas costas de ter falado contra o agir de Deus? Com isso eles já estão imunes a qualquer questionamento. Tudo o que eles fizerem deve ser considerado como algo inspirado e acima de qualquer suspeita. Agora a multidão virou presa fácil. Querem um milagre, tem quem ofereça de qualquer forma, ninguém questiona nada, só resta dizer que a conferência “é uma bênção”. Não vemos a mesma multidão na escola bíblica dominical nem nos cultos de doutrina. Não vemos a busca pelo conhecimento da Palavra, pela meditação na Palavra. Vemos crentes supersticiosos lendo um Salmo pra relaxar antes de dormir, ou lendo um versículo por dia pra cumprir seu costume religioso de evangélico.

Termino afirmando que creio em milagres, mas não preciso conferi-los pra isso! Minha fé é no Deus que realiza os milagres e não fé nos milagres. Fé no Deus que faz no tempo dele e se ele quiser fazer. Pois um dia o grande Apóstolo Paulo pediu a Deus em súplicas por três vezes dizendo: Senhor tira de mim esse espinho da carne? E Deus lhe respondeu: Paulo, a minha graça lhe basta! Se não estou enganado, isso está naquele livro… aquele que chamam de Bíblia… que os evangélicos lêem… e eles lêem? É isso que me pergunto todos os dias.

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O Fervor Missionário da Igreja ante a Pluralidade Religiosa do Brasil – Atos 17:16-34.

 

 

É bem conhecido na sociologia da religião o conceito de “sincretismo religioso”, que se aplica muito bem ao Brasil, e que significa mistura, mescla, síntese de tradições religiosas, superposição de doutrinas e entidades espirituais (santos, deuses, guias) de diferentes religiões. Assim, o sincretismo mais conhecido foi o que praticaram os negros escravos dissimulando seus orixás com os santos católicos.
Como bem disse o Doutor Hernandes Dias Lopes: “ o Brasil é um caldeirão não só racial, mas religioso também´´. O pano de fundo religioso desse país é o catolicismo europeu, o espiritismo kardecista da França, os cultos Afros e o misticismo indígena.  Como se não bastasse, as religiões orientais dividem espaço largo com sociedades secretas e comunidades esotéricas.
Essa semana vi na televisão um líder religioso defendendo a pluralidade religiosa, que deveríamos olhar para religião do vizinho como uma opção, como sendo mais uma que nos levará ao mesmo destino. O Brasil é um país onde 99% da população (segundo pesquisa da revista Veja) crê em Deus ou deuses.
A princípio, olhando de fora, o brasileiro é um povo que conhece Deus. Afinal de contas, até o Papa disse: “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca´´. Essa frase mostra como a religiosidade brasileira é bem vista internacionalmente. Os antropólogos chamam a pluralidade religiosa brasileira de cultura; os sociólogos chamam de movimento social; a psicologia de necessidade natural; mas a Bíblia chama isso de PECADO.
No entanto, a pluralidade não guerreia só nos campos de batalha da religião; ela tem um aliado chamado RELATIVISMO. Este nos ensina que não existe absolutos, tudo é relativo. A religião certa para mim pode não ser para voce; isso para voce é pacado, para mim não, tudo é relativo. Isso ocorre porque onde existe pluralismo, existe também relativismo.
A força motriz do relativismo é o pragmatismo. Esta doutrina filosófica, seguida por milhões de pessoas no mundo todo, ensina-nos a seguir não a verdade, mas o que dá certo. O pragmatismo não está interessado no que é verdadeiro, mas no que funciona. Eis aí um dos graves problemas de evangelizar o Brasil; o brasileiro gosta do que funciona, do caminho mais fácil e, quando não consegue, ele tenta dá o seu jeitinho, o jeitinho brasileiro.
Por que eu disse que é um dos graves problemas do Brasil? Porque além de termos que evangelizar o Brasil descrente, temos que evangelizar o Brasil evangélico. Porque os evangélicos estão cada vez mais pragmáticos e místicos. Sabe por que isso é um problema grave? Porque um crente pragmático é um semi-evangélico, pregando um semi-evangelho. O evangelho do sal grosso, da rosa ungida, o evangelho da campanha da arca da aliança. Esse tipo de crente é um  problema porque não são missionários. Eles precisam ser evangelizados, pois alguém já disse que quem não evangeliza precisa ser evangelizado. Charles Spurgeon pregador do século 18 disse: “todo crente é um missionário, ou um impostor´´.
Diante da situação do nosso Brasil, qual tem sido o sentimento missionário da igreja do Senhor? Precisamos olhar para o texto e observar Paulo em Atenas.

Pela primeira vez Paulo está na capital da filosofia, da arte, das grandes construções; ele tinha acabado de chegar do norte da Beréia pelo mar com seus amigos que agora já tinham voltado e o deixaram só em Atenas. A cidade estava cheia de ídolos. Atenas era conhecida por ter mais ídolos que o resto da Grécia. Petrônio calculou que existiam 30 mil deuses nas ruas e prédios públicos.
v. 18-21: Os estóicos e epicureus ouviram Paulo e disputavam com ele. Os filósofos reconheceram que Paulo estava pregando uma doutrina nova e estranha. Em vez de assimilar a nova doutrina, eles perceberam que era bem diferente das idéias deles.
Os epicureus eram ateus e materialistas. O propósito deles era livrar o homem do medo dos deuses através da negação da sua realidade. Eles negavam a vida depois da morte (e o juízo final) e devem ter ficado escandalizados com a noção da ressurreição. Segundo os epicureus, a realidade última consiste apenas em matéria composta de átomos. Os deuses eram simplesmente símbolos.
Os estóicos eram panteístas. Eles acreditavam que o logos,ou Deus, era uma energia que permeava tudo e que dava ordem e estrutura ao universo. O logos guiava a sorte dos homens e tudo que acontecia além da vontade do homem não podia ser mudado. Portanto, os homens não devem se preocupar com as coisas além do seu controle, mas devem aceitá-las sem ficar perturbados. O que será, será. Eles acreditavam na unidade da humanidade e na paternidade de Deus.
Os filósofos chamavam Paulo de “paroleiro” (spermologoi) que quer dizer vagabundo ou uma pessoa que não presta. Obviamente eles não respeitaram a doutrina de Paulo, mas pelo menos eles estavam abertos para ouvir mais sobre ela. Daí, eles o levaram para o Areópago.
v. 23: O Deus desconhecido. Era muito comum eles terem altares aos deuses desco- nhecidos, para o caso de um deus ficar irado por não ter recebido sacrifícios. Paulo não identificou o Deus verdadeiro com nenhum dos deuses gregos, mas com franqueza disse que eles estavam ignorantes desse Deus. O propósito de Paulo foi anunciar este Deus. O que segue, pois, deve ser entendido como uma exposição do verdadeiro Deus. Paulo não adaptou o seu conceito de Deus às idéias dos filósofos, mas colocou perante eles a antítese completa entre o paganismo e o cristianismo. O discurso é um ataque frontal contra a cosmovisão grega. Toda a exposição leva alguns a crerem e outros a zombarem.

Portanto, estou certo em afirmar que o fervor missionário deve ser evidenciado diariamente em meio à pluralidade religiosa afim de que o Deus verdadeiro seja conhecido. Mas, diante do texto de Atos, quais são as posturas que uma pessoa que tem o fervor missionário evidencia? Vejamos algumas.

Primeiro, uma percepção da realidade espiritual local. “Em face da idolatria dominante […]´´ (V.16). Paulo poderia ter visitado os maiores pontos turísticos da época. A acrópole, a ágora. Mas nada disso impressionou, o que ele percebeu foi a idolatria dominante. Lucas usa o adjetivo “Kateidolos´´ e não aparece em nenhum lugar no novo testamento nem em nenhuma outra literatura grega e dá a idéia de sob os ídolos, debaixo deles. O prefixo “kata´´ dá a ideia um crescimento luxuoso. É como se Paulo tivesse vendo os ídolos crescendo como uma floresta e sufocando a cidade sem ninguém perceber.

Segundo, um sentimento de reação diante da idolatria e rebeldia contra o Senhor. “O seu espírito se revoltava…´´ (v. 16). O verbo grego paroxyno, de onde vem a palavra paroxismo, tinha uma conotação médica e se referia a uma pessoa que tinha um ataque epilético.  Também significa: provocar, irritar, estimular. Paulo se sentiu agredido, provocado, indignado pela idolatria como próprio Deus se sente, e pela mesma razão: a glória e a honra do  nome de Deus. O antigo testamento chama esse sentimento de ciúme.  A ira de Paulo é pela sua aversão a idolatria que é dá glória a demônios no lugar do criador. Isso deixava Paulo como alguém que estivesse tendo um ataque epilético, mas também o motivava a pregar o evangelho aos idólatras de Atenas, esse sentimento deve nos motivar também irmãos. Pensando assim disse HENRY MARTYN na Pérsia mulçumana no início do século 19: “Eu não suportaria viver se Cristo não fosse glorificado; seria um inferno para mim, se ele fosse sempre desonrado.

Em terceiro lugar, uma pessoa que tem o fervor missionário  evidencia a proclamação do evangelho como fonte de libertação (Vs. 17-18).  A reação de Paulo diante da idolatria não foi de jogar as mãos para cima e ficar se lamentando e chorando. Ele prega a palavra.

a)    Primeiro, na sinagoga entre judeus, e para gentios tementes a Deus. Podemos comparar a evangelizar na igreja.

b)    Depois na ágora, praça que servia como mercado e encontro para conversas e debates. Podemos comparar com uma esquina, uma praça, uma feira, uma quadra de esportes. Precisamos de evangelistas poderosos que são capazes de fazer amizades com as pessoas a fim de pregar o evangelho.

c)    Em terceiro lugar vemos Paulo pregando no areópago, que o mais próximo que encontramos seria uma universidade; o lugar onde encontramos as melhores cabeças do país. O Brasil precisa de mentes dedicadas a Deus, ao estudo das escrituras. Não só ao estudo, mas também de escritores, pensadores, dramaturgos, artistas, atores. Uma diversidade de pessoas que possam usar seus talentos para pregar o evangelho. Assim podemos lutar contra o pluralismo religioso  desse país e do mundo.

Em quarto lugar, uma pessoa que tem o fervor missionário  evidencia o conhecimento do Deus vivo e verdadeiro aos que não conhecem a Deus (Vs. 19-21). Paulo faz isso em 5 aspectos:

A)   V. 24 –  Deus é criador do universo.

B)   V. 25 – Deus é o mantenedor da vida.

C)   V. 26-28a – Deus é o governador de todas as nações.

D)   V. 28b-29 – Deus é o Pai de todos os seres humanos.

E)   V. 30-31 – Deus é o Juiz do mundo.

Portanto, será que o mesmo sentimento que fez Paulo abrir a boca e proclamar o evangelho está em nós? Temos que pensar nas palavras de James S. Stewart, quando disse: “Nenhum homem está verdadeiramente despertado, se não desenvolveu um horizonte supranacional em seu pensamento. Nenhuma igreja é mais do que água represada de caráter pietista, a não ser que, em primeiro lugar, sempre e fundamentalmente seja uma igreja dedicada a missões. ´´

 

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