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Posts Tagged ‘Teísmo Aberto’

A humanidade sempre se viu impotente diante das forças da natureza. Grandes catástrofes são inevitáveis, o homem não consegue domesticar a fúria da natureza e muitas vezes, nem sequer fugir dela. Em 2004, a tsunami do Oceano Índico provocou vítimas fatais contabilizadas em mais de 285.000. No dia 12 de janeiro o Haiti foi atingido por um terremoto de magnitude 7.0 e segundo o primeiro-ministro do país, Jean-Max Bellerive, mais de 200 mil pessoas morreram e 300 mil pessoas ficaram feridas no desastre, incluindo 4 mil vítimas de amputações.

Nesse momento várias pessoas bombardearam os céus com acusações de injustiça e a bondade e misericórdia de Deus foram atacadas e colocadas em cheque. Nessas situações existe uma corrente teológica que ganha espaço e força no meio evangélico. Estou falando do “Teísmo Aberto”. Cada vez mais cresce o número de pastores e líderes que aderem a essa posição doutrinária. Não só pastores e mestres, isso já saiu das academias de teologia e desceu para os púlpitos das igrejas e tem matado a fé de muitos crentes.

O termo Teísmo Aberto foi cunhado pelo adventista Richard Rice em 1979, quando publicou pela Review and Herald Publishing, o livro: “A Abertura de Deus: a Relação entre a Presciência Divina e o Livre-arbítrio”. Segundo Paulo Brabo, o conceito de Deus imutável, impassível e fora do tempo, é acertadamente de origem grega. E salienta que os defensores do Teísmo Aberto afirmavam que termos como onisciência, onipotência e onipresença não aparecem na Bíblia. [1]

No Brasil, Ricardo Gondim é o expoente mais profundo desse pensamento contra a imutabilidade de Deus:

“Os gregos não concebiam a possibilidade de Deus mudar. Segundo eles, Deus não pode mudar por ser perfeito. Ora, a misericórdia só é possível de ser exercida se houver mudança no coração de quem a exerce. Aliás, misericórdia não exige mudança de quem é alvo dela e sim de quem a pratica. Há inúmeros exemplos bíblicos de que Deus mudou o que faria e tomou medidas até emergenciais, devido às ações humanas”. [2]

Em outras palavras, a doutrina da soberania, onisciência e onipresença de Deus deve ser rejeitada, pelo fato desses atributos de Deus terem sido  herdados do pensamento filosófico grego.

O Teísmo Aberto acredita que Deus procura estar em um relacionamento recíproco com humanidade, não exercitando o controle meticuloso do universo, mas, deixa que a humanidade faça as escolhas significativas. Apresentam pontos das escrituras que Deus se relaciona diretamente com o homem e que as escolhas “livre” do homem estabelecerá a forma como Deus lhe responderá.  O Teísmo Aberto afirma que o controle rigoroso não está baseada na Bíblia, mas na filosofia grega, onde os filósofos gregos viam a Deus como uma força totalmente controladora e imutável. O termo “aberto” se usa porque Deus se “abre” para um relacionamento com o homem, se expondo a riscos, como teria acontecido com Jesus  ao ser despojado, humilhado ao ponto de colocar em risco a glória que tinha nos céus.

No Teísmo Aberto o futuro é “não definido” e “incerto”, logo faz a suposição de não haver “verdade” sobre as determinações futuras. O princípio está na “incerteza” ou seja, uma verdade futura só será verdade “se” determinadas escolhas “próprias” do livre arbítrio do homem forem tomadas.

É necessário dizer aqui que minha intenção não é ser exaustivo no que tange explanações mais profundas acerca do Teísmo Aberto; mas sim, conceituá-lo e exemplificar o mesmo na prática e defender a tese que a mesma é absurda e herética à luz da Bíblia.

Usando uma linguagem simples e direta sobre o que é e como funciona o Teísmo Aberto, o descrevo assim:

“O Teísmo Aberto é a doutrina filosófico-teológica que afirma que Deus não tem o controle total do universo, que atributos como onipotência, onisciência e soberania são limitados. Ele não conhece o futuro, apenas prevê o que os homens podem fazer, mas só terá conhecimento das suas ações, quando de fato acontecer. Deus conhece o leque de opções que o homem tem a sua disposição, mas só depois que homem escolher e executar essa escolha é que Deus toma conhecimento”.

Por exemplo, quando comecei a escrever esse texto e dei um título, Deus teve a ideia das coisas que eu poderia escrever, das minhas opções; contudo, de fato só saberá o que escreverei a medida que eu for escrevendo, ou quando eu terminar de escrever. É assim que o Teísmo Aberto pensa.

Em 2004, por causa da tsunami, muitos aderiram ao Teísmo aberto. Foi solo fértil para florescer inúmeras explicações acerca desse assunto. Em um momento onde as pessoas estavam atordoadas pela dor e pela tragédia, o homem em busca de explicações e querendo colocar a culpa em alguém encontra em Deus o bode expiatório. Lembro-me bem dessa época, alguns pastores e teólogos afirmaram: “Deus não poderia ter evitado a tsunami, ele não tinha conhecimento da tsunami, do contrário teria evitado esse desastre, pois ele é amor e misericórdia”.

No terremoto do Haiti, Deus foi colocado mais uma vez no banco dos réus. Uns defendendo-o, outros acusando-o. Uns dizendo: “Se ele é todo poderoso e podia ter evitado o desastre e não o fez, ele é injusto e não tem amor nem misericórdia´´. Por outro lado, outros dizem: “Se não evitou porque não tinha conhecimento, nem poder para isso, não é Deus´´. Popularmente chamamos essa situação de “sinuca de bico”.  De um lado ou de outro Deus é atacado e acusado de alguma coisa.

Um dos grandes problemas que vejo nessa situação são os autores das denúncias. São homens, criaturas acusando o seu criador de impotência. Onde chegamos? Que direito temos nós, seres humanos, pedaços de barro, de lançar acusações contra o dono do universo?  Lembro-me do episódio de Marcos 4:37-41; onde os discípulos estão em um barco no meio de uma terrível tempestade. Jesus estava no barco, contudo, estava na popa do barco dormindo sobre um travesseiro. Alguém acorda o Mestre e diz: “Mestre, não te importa que pereçamos? Na verdade isso foi mais um ataque e acusação que nosso amoroso mestre recebeu. O que os discípulos estavam dizendo era: “você não vai fazer nada nem se importa que agente morra aqui nessa tempestade não é?”. É assim que muitos de nós somos quando estamos no meio das tempestades da vida. Mesmo sabendo que Jesus está no nosso barco não ficamos quietos, reclamamos no primeiro instante que percebemos que Ele não está fazendo nada. Achamos que Ele nos abandonou e que não irá fazer nada por nós, que não se importa, que é injusto e até o acusamos de falta de amor.

Quando Jesus acorda, a primeira coisa que faz não é brigar com os discípulos – embora merecessem. Ele acalma a tempestade. O espanto e o temor dos discípulos é visível, tanto é que eles chagam ao ponto de dizer: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” Sabe o porquê dessa pergunta? Como disse R. C. Sproul (1997) em seu livro A santidade de Deus, os discípulos estavam tentando encaixar aquele homem que acabou de acalmar a tempestade em um padrão humano, mas não encontravam nenhum padrão para Ele. Jesus era singular e poderoso demais para compará-lo a homens. Todo esse espanto reside no fato de Jesus não ter orado pedindo ao Pai livramento, Ele lidou diretamente com a tempestade. Aqueles homens nunca viram alguém dando ordens as poderosas tempestades do mar da Galileia. Mas agora, o carpinteiro silencia o mar com o poder de poucas palavras. Diante disso só resta aos discípulos indagarem: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

Ao Teísmo Aberto digo: “O Deus de Israel é TODO PODEROSO e nada foge do seu controle pois ele é ONISCIENTE´´. Na ilha de Patmos, exilado em sofrimento João contempla no meio dos sete castiçais de ouro, um que tem os OLHOS como chamas de fogo. João percebe que está diante dos olhos do Senhor, do qual ninguém pode fugir e cujo brilho rasga toda escuridão e negritude como Davi afirmou no Salmo 139:1-20.

Outra coisa faço questão de lembrar, no Haiti, quase toda a população se envolve com o vodu – o país tem o Vodu como religião oficial. A bruxaria e a feitiçaria são predominantes nesse país. Creio na soberania de Deus e que nada foge do seu controle. Deus sabia sim do que iria acontecer e poder não lhe falta para conter catástrofes como aquela. Você deve estar se perguntando se estou afirmando que Deus permitiu que todas àquelas pessoas morressem no terremoto e que não fez nada para que ele não acontecesse não é verdade? O cálice da ira de Deus é derramado segundo o seu propósito. Se aprouve a Deus permitir que esse país sofresse com esse terremoto, não temos o direito de questioná-lo. Não estou sendo insensível, no entanto, preciso lembrá-lo acerca do pecado humano e da sua rebelião. Ninguém comenta nada sobre o vuduísmo e bruxaria que o Haiti pratica tão abertamente e que isso é abominação ao Senhor.

Na minha opinião, o Haiti foi atingido por um simples respingo do cálice da ira de Deus quando este permitiu esse grande terremoto. Não afirmo isso com muita facilidade, mas entendo dessa forma. Confesso que quando assistia algumas reportagens sobre esse evento cataclísmico, pensei nos profetas menores que foram portadores de mensagens de condenação e destruição a países rebeldes e que tinham enchido o cálice da ira do Senhor.

Como embasamento bíblico para minha afirmação supracitada, chamo sua atenção para as palavras do apóstolo Paulo: Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!  Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.  Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra.  Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz. Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?  Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão […]”. Romanos 9:14-18; 20-23.

Portanto irmãos, precisamos afirmar o que as Escrituras afirmam do nosso Deus e não nos dobrarmos diante de aberrações teológicas. Por mais que sejam bem articuladas e argumentadas, se ferirem o caráter do Deus vivo e verdadeiro devem ser negadas e combatidas. Espero que essa exposição tenha levado luz ao seu entendimento acerca do que é o Teísmo Aberto. Que o Deus TODO PODEROSO nos abençoe e guarde o nosso coração. Um abraço a você, caro leitor do reflexão teológica e até a próxima reflexão.

[1] http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=69&sg=0&id=1284

[2] http://www.portalevangelico.pt/noticia.asp?id=2654

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